sábado, 30 de outubro de 2010

13

Há uns dias pus-me a tomar duche fora de horas simplesmente porque me apeteceu.
Não tinha pensado em nada antes, muito menos em ti, tu, essa droga que me deixa noutro mundo.
Nesse duche, interminável, quente, sóbrio e que me arrepiava a alma, criou-se uma bolha de gel de banho como tantas outras que se formaram da imensa espuma que se tinha criado ali, naquele espaço de azulejos frios.
Mas essa bolha era diferente... Não rebentava.
Dei por mim a brincar com ela pelo meu corpo fora e por mais que eu a espalmasse, escondesse entre as mãos ou tentasse rebentar, ela não desaparecia!
Num pensamento vazio, pus-me a pensar na nossa relação, que era tal e qual como aquela bolha.
Por mais que tentassem rebentá-la, destruí-la, espalma-la, tirar-lhe "vida", ela não rebentava porque era forte, tinha tudo o que necessitava dentro dela [que não é só água e sabão], tinha vida.
Demorei quase 1 mês a escrever este texto que, para mim, é pequeníssimo em comparação aos que costumo escrever, mas demorei assim tanto porquê? Porque é que demorei tanto tempo a fazer uma coisa que é o meu segundo mundo? Porque é que demorei tanto tempo a exprimir tudo o que sinto para o "papel", que para mim sempre foi fácil? Aí está, porque perdi tudo, tudo (...)
Quem tudo quer, tudo perde; eu já perdi.
Fiquei a pensar nessa bolha a noite toda, que ao fim de um tempo rebentou com um jacto de água.
Peguei no telefone mil vezes e tentei marcar o teu número, mas foi inútil, tudo inútil.
Acabei por ligar [se é que liguei] a alguém que, sinceramente, não me recordo mas que também me ouvi por breves minutos.
Agora aqui estou eu, lavada em lágrimas, não por tua causa, mas por causa de um [estúpido] filme romântico que me fez lembrar de ti.
Ainda me pergunto porque é que agora me interesso mais por romances e em todos acabo lavada em lágrimas.
Agora relembro-me que tinha acabado de ver um romance antes de tomar esse duche, e embora estivesse com água a escorrer-me pela cara, sentia as lágrimas a partirem-se na minha boca, como se se tratasse de água, pura.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

12

demoramos dias, meses ou até mesmo anos a fazê-los crescer e a amá-los, a protegê-los e a dar-lhes atenção, mas quando chega a hora de dizermos adeus, custa sempre, ou até nos mata por dentro.
pensamos que não somos capazes, e não somos mesmo, porque vai haver sempre uma parte deles connosco e lá no fundo uma nossa com eles.
sabemos que os vamos amar para sempre, mas como um pássaro tem de deixar os passarinhos ir, nós temos de os deixar ir também...