domingo, 27 de março de 2011

15


Escrevo-te porque necessito de te escrever. Mesmo que já não tenhas nada a ver comigo e a tua alma já não se funda com a minha, tenho mesmo de te escrever porque sei que só assim irás encontrar a chave para a tua felicidade, mesmo que não seja ao meu lado. Sei que estarás na freguesia ao lado, mas custa sempre nunca te encontrar em cada esquina.
Escrevo-te porque só assim me ouves, me contemplas e, por breves segundos, me dás atenção.
Escrevo-te porque já não és o meu sangue, já não és a minha principal preocupação e porque já não te vejo há imensos meses e tenho saudades tuas, mesmo que isso seja ilegal.
Tu não sabes nada da vida e és mais velho que eu. Pergunto-me quando irás crescer, quando irás aguentar uma relação de longa duração e quando irás parar de ser criança, mas nunca obtenho resposta.
Às vezes pergunto-me qual será o estado do teu coração de pedra e só me vêm palavras como recobro, recuperação, recolhimento, reflexão e será mesmo isso?
Custa-me sempre passar pela tua cidade, porque foi aí que nos conhecemos, nos cruzámos e nos encontrámos e cada vez que regresso aí, estamos a visitar-nos um ao outro; eu vejo-te lá sempre que quero e tu fechas os olhos imaginando a minha chegada. Claro que sonho muito.
Tu não sabes fazer luto das relações. Mergulhas de cabeça logo na seguinte, quando a anterior ainda não acabou e vais acumulando uma série de assuntos pendentes na tua vida.
Estou sem rumo e sem remos, e não sei quando irei seguir o meu caminho. Já não te amo, nem gosto de ti, apenas te fundiste no meu coração como os outros meus grandes amores e ainda me é frustrante ver-te seguir com a tua vida, ainda por cima sem mim, eu, que dizias que era a saída para os teus problemas. De certo que as palavras são apenas palavras, não actos, correcto?
Nunca esquecemos aqueles que amamos, nunca deixamos de amar aqueles que nos amaram, nunca perdemos a sabedoria que nos legaram, nunca deixamos de ter saudades daqueles que mudaram a nossa vida - e tu mudaste a minha vida por uns meses, senti-me como uma mãe, mas ao mesmo tempo amada como um amor impossível.
Escrevo-te porque parece que já não precisas de mim, porque estragaste tudo. Escrevo-te porque sei que daqui a uns tempos irás ter saudades minhas e irás desejar que tivéssemos durado mais um pouco, mais umas horas.
Escrevo-te porque não me lembro da última vez que te vi, provavelmente quando vieste aqui e andaste a primeira vez de transportes públicos. Agora já tens mais um conhecimento, já conheces uma nova região e sei que irás sorrir ao ler o que te escrevo.
Escrevo-te para te dizer adeus [ou um até já, se assim preferires]. Escrevo-te para te dizer que vou tentar seguir com a minha vida, que o meu rumo não é aqui, mas sim noutro sítio longe daqui. Se me voltarás a ver? (...)

sábado, 15 de janeiro de 2011

14

Odeio escrever para ti porque sei que se torna inútil. Inútil não é bem o termo, mas sei que irás ler e passar-te ao lado.
Nunca te mostrei os mil textos que te escrevi, as mil fotos que tenho tuas, as mil provas de amor que por ti fiz (e faço) porque acho que é inútil, tudo inútil.
Sei que te magoei e nunca me irei perdoar por isso. Também tens de compreender que sou nova (agora já não) nisto, que na altura estava confusa.
Sei que fui totalmente anormal em te trocar por uma pessoa que quase não conhecia, e a ti, conhecia-te tão bem quanto a mim.
Guardo na palma da vida o relógio do teu coração, e sei que daqui ele nunca irá sair.
Guardo na palma da vida todos os momentos que passámos juntos, todos os olhares trocados [mesmo que tenham sido por amor/ódio].
Ainda moras no mais íntimo de mim, enquanto toda a gente pensa que já de lá saíste.
Moras no fundo do meu coração, na última cidade, na última rua, no último prédio, no último andar e no último quarto do meu pequeno grande coração. Sabes a quem reservei esse lugar? Reservei-o a ti, uma pessoa especial e que sabia, desde o início, que iria ser diferente.
Ver-te ainda é trágico para mim. Vou-me sempre abaixo. Ver-te a sorrir, deixa-me feliz, mas saber que não sou eu que o faço romper, deixa-me, outra vez, em baixo.
Adorava que a nossa rotina fosse outra, que não falasse contigo só 1 vez por semana (quase nem isso).
Não posso dizer que a minha vida esteja a passar uma fase má, mas só o facto de tu não estares aqui comigo, já é mau o suficiente para pensar que os momentos que tivemos juntos compensam agora a ausência que estou a enfrentar. Mas por mais que tente, nada nem ninguém consegue preencher esta porção de ti que me falta para estar completa, porque a palavra "eu" tem duas letras e é apenas isso que eu tenho, preciso de ti para o meu mais apaixonante "nós".
A tua ausência já se tornou no meu dia-a-dia, mas cada vez que me vejo ao espelho, vejo-te sempre no meu lado direito a sorrir, porque nós somos iguais e tu, no fundo, sabes disso.
Estás à procura da tua alma do outro lado do mundo, e eu tenho-a aqui adormecida nas mãos e não sei o que fazer dela, porque a tua alma se fundiu, em tempos, com a minha e não consigo olhar para dentro do meu coração sem te ver lá, mesmo que tenhas escolhido outro caminho.
Não estou inspirada, muito menos com paciência para escrever, mas lembrei-me de ti [lembro sempre] e decidi tentar que me saísse algo.
Amo-te tanto como da primeira vez que falámos, por muitas coisas que já tenham acontecido, por muito que a nossa vida seja uma montanha russa de sentimentos, tens de saber que ainda és o pedaço grande do meu coração e que é também por ti que ele bate.
A vida são dois dias, e vou aproveitá-los para cumprir tudo o que te prometi.