Odeio escrever para ti porque sei que se torna inútil. Inútil não é bem o termo, mas sei que irás ler e passar-te ao lado.
Nunca te mostrei os mil textos que te escrevi, as mil fotos que tenho tuas, as mil provas de amor que por ti fiz (e faço) porque acho que é inútil, tudo inútil.
Sei que te magoei e nunca me irei perdoar por isso. Também tens de compreender que sou nova (agora já não) nisto, que na altura estava confusa.
Sei que fui totalmente anormal em te trocar por uma pessoa que quase não conhecia, e a ti, conhecia-te tão bem quanto a mim.
Guardo na palma da vida o relógio do teu coração, e sei que daqui ele nunca irá sair.
Guardo na palma da vida todos os momentos que passámos juntos, todos os olhares trocados [mesmo que tenham sido por amor/ódio].
Ainda moras no mais íntimo de mim, enquanto toda a gente pensa que já de lá saíste.
Moras no fundo do meu coração, na última cidade, na última rua, no último prédio, no último andar e no último quarto do meu pequeno grande coração. Sabes a quem reservei esse lugar? Reservei-o a ti, uma pessoa especial e que sabia, desde o início, que iria ser diferente.
Ver-te ainda é trágico para mim. Vou-me sempre abaixo. Ver-te a sorrir, deixa-me feliz, mas saber que não sou eu que o faço romper, deixa-me, outra vez, em baixo.
Adorava que a nossa rotina fosse outra, que não falasse contigo só 1 vez por semana (quase nem isso).
Não posso dizer que a minha vida esteja a passar uma fase má, mas só o facto de tu não estares aqui comigo, já é mau o suficiente para pensar que os momentos que tivemos juntos compensam agora a ausência que estou a enfrentar. Mas por mais que tente, nada nem ninguém consegue preencher esta porção de ti que me falta para estar completa, porque a palavra "eu" tem duas letras e é apenas isso que eu tenho, preciso de ti para o meu mais apaixonante "nós".
A tua ausência já se tornou no meu dia-a-dia, mas cada vez que me vejo ao espelho, vejo-te sempre no meu lado direito a sorrir, porque nós somos iguais e tu, no fundo, sabes disso.
Estás à procura da tua alma do outro lado do mundo, e eu tenho-a aqui adormecida nas mãos e não sei o que fazer dela, porque a tua alma se fundiu, em tempos, com a minha e não consigo olhar para dentro do meu coração sem te ver lá, mesmo que tenhas escolhido outro caminho.
Não estou inspirada, muito menos com paciência para escrever, mas lembrei-me de ti [lembro sempre] e decidi tentar que me saísse algo.
Amo-te tanto como da primeira vez que falámos, por muitas coisas que já tenham acontecido, por muito que a nossa vida seja uma montanha russa de sentimentos, tens de saber que ainda és o pedaço grande do meu coração e que é também por ti que ele bate.
A vida são dois dias, e vou aproveitá-los para cumprir tudo o que te prometi.